Aníbal Pinto de Castro
(Cernache, 1938-Coimbra, 2010)
Cernache, 10.IX.2005

Meu caro Eduardo,

Não quero deixar de lhe mandar uma palavra mais pessoal junta à prosa “oficial” que segue inclusa.
Gostei muito de o reencontrar (e em boa forma!) ontem, na Guarda. E o mesmo direi da Annie.
Aqui seguem, pois, alguns elementos acerca da VII Reunião Internacional de Camonistas onde, naturalmente, damos a sua presença e a sua participação como certas.
Das “monstruosidades” (presentes) do tempo e da fortuna nem é bom falar… Eu gostava muito de ter destas coisas uma visão mais desprendida do quotidiano, mas, homem do terrunho que continuo a ser, não consigo. Felizes os sociólogos que têm sempre uma explicação para tudo baseada nessa “altura” da sua visão teórica ou teorizante. Se me fosse lícita a comparação diria que estou com as grandes figuras da nossa cultura ao longo da história…
Lembranças muito amigas à Annie e, para si, um afectuoso abraço com a viva admiração e amizade do
Aníbal
Aníbal Pinto de Castro nasceu em Cernache em 1938. Fez os estudos primários na sua terra natal e frequentou o Liceu Normal de D. João III, em Coimbra. Matriculou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Coimbra, onde se licenciou, em 1960, com a tese Balzac em Portugal. Doutor em Literatura Portuguesa, pela Universidade de Coimbra, e Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica Portuguesa, foi ainda académico de número da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa de História e sócio correspondente de várias academias e sociedades científicas nacionais e estrangeiras. A sua obra, que ultrapassa os 200 títulos, em grande parte dispersa, abrange vários domínios e personalidades, destacando-se a sua tese de doutoramento Retórica e teorização literária em Portugal: do Humanismo ao Neoclassicismo (1973).
Foi fundador do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, na Universidade de Coimbra, mas os seus interesses incluíam as obras do Padre António Vieira, Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz, e temas como a teorização e crítica literária, crítica textual e história da cultura.
Foi director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (1988-2004), provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra e presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel. Foi comendador da Ordem de Mérito de Itália, comendador da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém e grande-oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.